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Esforço conjunto salva filhotes de peixe-boi-da-amazônia no Pará

Esforço conjunto salva filhotes de peixe-boi-da-amazônia no Pará

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Dois filhotes de peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), encontrados presos e sozinhos em redes de pesca, foram resgatados em duas localidades na região oeste do Pará, onde há anualmente diversos casos de caça ilegal da espécie. O esforço conjunto de salvamento envolveu um trabalho coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio de outros órgãos e instituições, inclusive das comunidades locais.

O primeiro filhote, uma fêmea, foi encontrado sozinho no lago Sapucuá, próximo à Comunidade Castanhal, em Oriximiná (PA). Seu resgate foi realizado por equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), que transportou o mamífero de voadeira até a sede do órgão. Lá, ele permaneceu por oito dias para ser alimentado e recuperar o peso adequado para a idade. Em seguida, foi encaminhado para o Centro de Triagem Animal (CTA), onde recebeu atendimento veterinário.

O outro filhote, também fêmea, foi encontrado em Óbidos (PA) por pescadores locais, que o retiraram da água e o alocaram temporariamente em uma caixa d'água. No mesmo dia, a Semma de Óbidos buscou o animal e o manteve em suas instalações por quase 50 dias para recuperação.

Debilitados, desidratados e, ao que tudo indica, órfãos em razão de crimes contra a fauna, os dois mamíferos receberam atendimento emergencial sob orientação de veterinários do Instituto Bicho D'Água.

Viagem ao Centro de Reabilitação de Fauna Aquática

Ambas as fêmeas resgatadas, após quase dois meses aos cuidados dos órgãos ambientais municipais de Oriximiná e de Óbidos, iniciaram juntas uma viagem ao local de reabilitação: primeiro, viajaram de navio pelo rio Trombetas durante toda uma madrugada até Santarém (PA); depois embarcaram, ainda de manhã, em avião que as levou até Belém (PA), num voo de três horas de duração.

Da capital paraense, as jovens peixes-bois-da-amazônia seguiram em viatura do Ibama por uma hora e meia até Castanhal (PA), onde foram recebidas no Centro de Reabilitação de Fauna Aquática, localizado no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA). Nesse centro, devem permanecer por pelo menos quatro anos para total reabilitação, a fim de terem um retorno seguro à natureza livre.

“Esse período é determinado pelo tempo de aleitamento, aprendizado alimentar e reabilitação comportamental, podendo sofrer variações dependendo do desenvolvimento individual do animal e das condições ambientais”, explica Débora Mendes, analista ambiental do Ibama no Pará. Nessa fase, os mamíferos aquáticos passarão por exames clínicos, alimentação controlada e um processo de adaptação progressiva ao ambiente natural.

Projeto de conservação

Todo o procedimento de salvamento das fêmeas contou com o suporte de equipe do Instituto Bicho D'Água, por meio de apoio logístico e técnico no transporte e no cuidado com os animais. Também houve apoio do Grupamento Aéreo de Segurança Pública do Estado do Pará (GRAESP) no transporte fluvial, até Santarém, e no aéreo, até Belém. O acompanhamento do Ibama nesse trabalho ocorre no âmbito do Projeto de Conservação do Peixe-Boi da Amazônia, liderado pelo Instituto. O Ibama seguirá apoiando o processo de reabilitação por meio do fornecimento de insumos ao Centro de Reabilitação de Fauna Aquática.

O Ibama e o Instituto Bicho D’Água alertam que, em casos de avistamento de animais silvestres em risco, a recomendação é acionar imediatamente as autoridades ambientais para garantir o atendimento adequado.

Sobre a espécie

Os peixes-bois-da-amazônia desempenham um papel crucial na manutenção da saúde dos ecossistemas aquáticos. Eles controlam o crescimento excessivo de vegetação submersa, contribuindo para o equilíbrio dos habitats aquáticos. Contudo, sua sobrevivência está ameaçada pela caça ilegal.

A captura desses mamíferos ocorre devido a crenças culturais ou pela exploração comercial de sua carne e de seu couro. Na pesca, por outro lado, o perigo reside no fato de que esses mamíferos frequentemente ficam presos em redes destinadas à captura de peixes, o que pode causar ferimentos graves ou até levá-los à morte por afogamento. Além disso, os filhotes separados de suas mães enfrentam baixas chances de sobrevivência na natureza, pois dependem do aleitamento e do aprendizado para desenvolver a autonomia necessária à sobrevivência.

Para enfrentar esses desafios, é fundamental investir em ações de educação ambiental, reforçar a fiscalização contra práticas ilegais e promover alternativas econômicas sustentáveis que beneficiem as comunidades locais. Apenas com esforços coordenados será possível assegurar a preservação dessa espécie essencial para os ecossistemas amazônicos.

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